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O famoso 'se colocar no lugar do outro'

Talvez escrevendo isso eu passe a ser o terror dos empresários quadradinhos e dos gestores de empresas pessoas. Nada do que eu escrever aqui me foi ensinado em qualquer universidade que eu tenha frequentado. Nada foi, sequer mencionado, pra minha infelicidade. Aliás, arrisco dizer que a faculdade te doutrina a pensar como um funcionário caxias que precisa, o tempo todo, seguir os passos do chefe. Ninguém te ensina a ser líder. No máximo, te mostram a como mandar e ser obedecido. Não sei como, mas agradeço por nunca ter absorvido isso.

Se você não é filho de abonados empresários, se não ganhou na loteria ou nunca precisou passar um dia inteiro com uma Trakinas no estômago esperando a aula acabar pra pegar um ônibus lotado, certamente vai se identificar com o que eu tenho a dizer. Mais ainda, se você "chegou lá" sem precisar pisar em ninguém, se não fez isso passando por cima dos seus valores e crenças.

Bem, se não me engano o primeiro dinheiro que eu ganhei trabalhando foi en…
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Dois pesos e duas medidas

Há algum tempo penso em escrever sobre números, balanças, convenções populares, padrão Instagram de beleza, nutricionistas graduados no Instituto Federal Gabriela Pugliesi e essas coisas todas. Acho um retrocesso falar em 2017 sobre algumas coisas tão anos 70 e registrar algo que me soa tão óbvio mas, às vezes, "desenhar" é preciso.

"Fulana, como você emagreceu". Acredite: isto nem sempre é um elogio. "Nossa, que gorda! Você está grávida?". Bem, isto só mesmo um espírito de porco diria, mas como falei no início, estou hoje aqui para desenhar, então: NÃO FALE ISTO. Nunca. Em hipótese alguma. Se estar magra não é elogio, estar gorda, tampouco. E se a pessoa estiver grávida, ela lhe conta sem você perguntar. Ou não, mas aí quem decide é ela. Entenda que o corpo humano é - apenas e somente - uma carcacinha emprestada para que possamos vir dar um rolê por este mundinho doido sem parecermos The Walking Dead. Não somos o que pesamos. Não somos o que vestimos. Nã…

Tamanho 36. Quadril 40.

Talvez gostar de algo não seja o suficiente. Talvez gostar esteja para o mundo como a calça 36 está para o quadril 40. Ela quer muito ser comprada e ter uma vida feliz e útil no seu armário. Você quer muito que ela te sirva e seja companheira de todos seus looks. A questão é que não dá, não cabe, não entra. E o amor segue a mesma onda. Amar também não salva nada do fracasso. E aí, nesse caso, o amor está para a vida como o adubo está para a planta que já morreu. Nada, nem a chuva mais hidratante ou todos os nutrientes do mundo, nada salva o que já não vive mais.

Quando escrevia sobre sentimento há oito anos, vivia uma avalanche de novidades que não faziam o menor sentido, mas eram tão coloridas e novinhas e sonhadoras - e... - que me enchiam de propriedade pra falar a respeito. Amei muito. Amei pessoas maravilhosas. Amei só pessoas maravilhosas, aliás. Mas isso nunca foi o suficiente pra que eu fosse mãe dos filhos de nenhuma dessas pessoas. Nenhuma vez, em nenhum dia da minha vida eu…

Aceita cartão?

Quando todos os problemas do mundo caem à sua cabeça e não tem uma porra de um Google que responda suas perguntas. Não por falta de wi-fi, não é isso, é só que “o que fazer para resolver meus problemas” não apresentou lá muitas soluções na internet. Até apresentou – não vou aqui diminuir os serviços do Todo Poderoso - mas honestamente eu não preciso de textos de alto ajuda, aula de matemática, nem rezas e orações – com todo respeito.

Eu queria mesmo era passar o cartão numa liquidação de vida tranquila. Queria parcelar a perder de vista uns novecentos dias de sossego, uma barriga magra da Pugliesi, a conta bancária gorda de um sheik Árabe. Queria um pouquinho de cérebro vazio, de eco mental e se eu ainda tivesse limite pra essa fatura, queria rejuvenescer uns dez anos igualzinho ao Didi e os Trabalhões na Árvore da Juventude.

 Mas como a vida não aceita cartão, não parcela, não negocia e não alivia, vou apelando pra página 9 do Google – onde só os desesperados chegam.

Vinte e cinco-sete-oito anos

Entrei agora no blog e vi que me descrevia com 26 anos, na biografia. Pensei "vinte e seis? Está certo isso?". Pausa pra um raciocínio rápido. "Está certo!". Mais uma pausa. "Então eu tive vinte e cinco anos o ano passado inteirinho? Tá bom! Vinte e cinco é uma idade boa." Dois minutos depois: 'Não, espera aí."

Puxei a calculadora. Dois mil e dezesseis menos mil novecentos e oitenta e oito. VINTE E OITO. Mas que porra é essa? Eu não tinha vinte e cinco no ano passado?

- Desvantagens de nascer em dezembro: a calculadora te dá sempre um ano a mais, o ano inteiro, todos os anos da sua vida.
- Vantagens de esquecer a idade: ter vinte e cinco ano que vem, de novo. E no outro, idem.



P.s.: Tenho vinte e sete. Minha mãe confirmou.

Estamos em guerra

Na fila do pão, do ônibus, no trabalho, no trânsito ou na praia. Na igreja, em Brasília, na Síria ou ali na esquina mesmo. O fato é que estamos em guerra, armados até os dentes de ódio e intolerância. É toma lá, dá cá. É salve-se quem puder. É farinha pouca, meu pirão primeiro.

É tanto espertinho, tanto malandrão, que somos hoje a maior geração de ignorantes da história da humanidade. Estudamos, somos formados, penduramos na parede o diploma da pós, mas ainda fechamos fronteiras e "passamos a perna" na desgraça alheia. Viajamos para a lua, descobrimos novos planetas, demos a volta ao mundo, mas ainda estacionamos na vaga de deficiente, porque "é rapidinho", "só vou ali e já volto". Legalizamos o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas isso não é família não, viu?! As mulheres queimaram sutiãs, ganharam direito ao voto, vestiram calças e foram trabalhar. Mas ainda achamos que, na melhor das hipóteses, o lugar delas é fazendo propaganda do Bombril e Lim…

"Têx"

Espero que um dia tu vejas tudo o que eu escrevi pra ti. O texto que eu fiz no ano retrasado, em São Paulo, chorando um rio de saudade enquanto passava um mês viajando. A primeira foto tua que eu fiz, ainda na maternidade, se esbaldando no peito da tua mãe e as tantas outras que vieram depois. Mas, acima de tudo, que vejas o que escrevo agora.

Você já tem três anos. Conta até dez e adora números. Hoje tua mãe me disse que enquanto o bolo de cenoura sem glúten esquenta no microondas, tu faz contagem regressiva. "Quinco, caco, têx, doix, um, béééé bééé bééé". Muito bem! Você já é melhor que a tia nisso. Eu sempre esqueço o que coloquei pra aquecer e acabo não comendo. Da próxima vez fico na frente do micro, fazendo contagem regressiva igual a ti.

Somos muito parecidos, Vini. Você é seletivo, é verdadeiro e reserva o seu sorriso para quem merece vê-lo. Às vezes você não olha quando chamamos e ao contrário do que o mundo inteiro possa dizer, eu acho isso lindo. Tem muito da tua…